{"id":3167,"date":"2018-06-23T23:11:10","date_gmt":"2018-06-23T23:11:10","guid":{"rendered":"http:\/\/gastronomidia.com.br\/?p=3167"},"modified":"2018-06-23T23:11:10","modified_gmt":"2018-06-23T23:11:10","slug":"plantas-do-agreste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gastronomidia.com.br\/2021\/plantas-do-agreste\/gastronomia\/","title":{"rendered":"Plantas do agreste e do sert\u00e3o inspiram chef de Recife"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Com alma de pesquisador, Marcos Nascimento desenvolve o Projeto Bioma da Caatinga e elabora receitas com PANCs (plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais).<\/p>\n<p><\/em><\/strong><\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s concluir o curso de Tecnologia em Gastronomia, o chef Marcos L\u00f4bo Nascimento, de Recife, PE, procurava um tema para continuar suas pesquisas acad\u00eamicas. Conversando com um dos professores, teve a ideia de desenvolver um projeto a partir de seus conhecimentos sobre o Bioma da Caatinga e a cultura PANC \u2013 Plantas Aliment\u00edcias N\u00e3o Convencionais.<\/p>\n<p>Com o acompanhamento do doutorando Ant\u00f4nio Gomes, o chef Marcos iniciou o projeto, que foi apresentado pela primeira vez no Pa\u00e7o Alf\u00e2ndega, em Recife, e \u201cganhou a estrada pelos interiores do agreste e do sert\u00e3o\u201d, ele conta. Depois, a apresenta\u00e7\u00e3o passou para escolas estaduais de Educa\u00e7\u00e3o Profissional, cursos e universidades que convidam o chef para abordar o tema.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1255\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1255\" src=\"http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-300x300.jpg\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-300x300.jpg 300w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-150x150.jpg 150w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-768x768.jpg 768w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-250x250.jpg 250w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-125x125.jpg 125w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-110x110.jpg 110w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-420x420.jpg 420w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos-430x430.jpg 430w, http:\/\/sucessonacozinha.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Chef-Marcos.jpg 960w\" alt=\"Chef Marcos: produzindo livro com 50 receitas.\" width=\"300\" height=\"300\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Chef\u00a0<\/strong><strong>Marcos L\u00f4bo Nascimento<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o IBGE, bioma \u00e9 um conjunto de vida vegetal ou animal. O Bioma da Caatinga \u00e9 o principal ecossistema existente na Regi\u00e3o Nordeste, estendendo-se em uma \u00e1rea de 844.453 Km\u00b2 ou 9,92% do territ\u00f3rio nacional, segundo dados desse Instituto.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga se caracteriza por forma\u00e7\u00f5es de plantas secas e espinhosas, arbustos e pequenas \u00e1rvores. Mas tamb\u00e9m tem a cultura PANC (Plantas Aliment\u00edcias N\u00e3o Convencionais) com o mandacaru, umbu, coroa de frade, palma, facheiro, serralha, pitanga, mandioca, fava, macaxeira, batata doce, umbu e suas folhas, seringuela e suas folhas e outras floras que s\u00f3 o sertanejo conhece. Essas plantas podem se constituir em importantes fontes alimentares, devido \u00e0 sua composi\u00e7\u00e3o nutricional e, com t\u00e9cnicas adequadas de preparo, tornarem-se comidas saborosas, sendo inclusive uma forma de cultivo sustent\u00e1vel por j\u00e1 fazerem parte do bioma local do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Os h\u00e1bitos alimentares das popula\u00e7\u00f5es sertanejas est\u00e3o intimamente relacionados com as quest\u00f5es hist\u00f3ricas do processo de coloniza\u00e7\u00e3o e com os fatores clim\u00e1tico-geogr\u00e1ficos da regi\u00e3o. O uso de produtos resistentes \u00e0 seca surge como \u00faltima op\u00e7\u00e3o e, normalmente, atrelado a preconceitos no consumo por serem utilizados como ra\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>O Projeto Bioma da Caatinga \u00e9 uma viv\u00eancia de mudan\u00e7as para o sertanejo que, nestes 50 anos, conviveu com a seca e passou a acreditar na sua flora como forma de complemento alimentar n\u00e3o s\u00f3 para os animais e, sim, tamb\u00e9m para sua sobreviv\u00eancia. O sertanejo quebrou o preconceito de que a vegeta\u00e7\u00e3o, no per\u00edodo de longas secas, n\u00e3o poderia mant\u00ea-lo e passou a entender que cada ingrediente tem seu valor no preparo de receitas que fazem parte dos pratos que leva para sua mesa.<\/p>\n<p>Fugir desse preconceito foi demorado, pois s\u00f3 o sertanejo entende a flora do seu bioma e sabe que ela n\u00e3o foi criada por acaso. Ser filho de um sertanejo e aprender a usar a flora do seu bioma desde a minha inf\u00e2ncia me fez ver, depois da minha volta ao Nordeste, que as prepara\u00e7\u00f5es que aprendi ainda crian\u00e7a n\u00e3o podiam ser esquecidas. Assim, retornei aos meus estudos e viajei para v\u00e1rias localidades que fazem parte do Bioma da Caatinga para coletar material de pesquisa.<\/p>\n<p>Visitando v\u00e1rias cidades, como Surubim, Taquaritinga do Norte, Vertentes, Gravat\u00e1, Garanhuns, Madre de Deus, Caruaru, Bezerros, Canind\u00e9 de S\u00e3o Francisco, Inhapi, Beberibe, Itapaj\u00e9 e Baturite, abracei com empenho a proposta de divulgar a Gastronomia PANC do agreste e do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Como filho do agreste e do sert\u00e3o, vivenciei toda a seca e fome que vi o povo passar, durante muitos anos, e buscar uma forma de completar sem preconceito toda esta cultura me fez pensar como cozinheiro.<\/p>\n<p>O mais importante de tudo isso foi que, a partir do conhecimento de quem vive no semi\u00e1rido, montei um projeto transformando a flora do bioma em receitas que por 50 anos est\u00e3o ali alimentando o povo da zona urbana das cidades do interior e da zona rural, pois n\u00e3o podia deixar que as receitas originais se perdessem no tempo. Para mim, levar o conhecimento da flora \u00e0s escolas e aos vilarejos da zona urbana e rural e falar da cultura PANC (Plantas Aliment\u00edcias N\u00e3o Convencionais)do bioma significa mostrar o valor nutricional de cada planta e trocar conhecimento sobre esses ingredientes que est\u00e3o ali, em cada quintal ou at\u00e9 mesmo nos terrenos das cidades. Ensinar como usara flora do bioma como forma alimentar \u00e9 proteger seu car\u00e1ter e sua vida!<\/p>\n<p>Fonte\/Cr\u00e9ditos: Sucesso na Cozinha<\/p>\n<p>______________<\/p>\n<p><strong>Chef Marcos L\u00f4bo Nascimento<\/strong>\u00a0\u2013 Tecn\u00f3logo em Gastronomia pela Universidade Maur\u00edcio de Nassau (PE), com diversos cursos complementares na \u00e1rea de Alimentos &amp; Bebidas e participa\u00e7\u00e3o em eventos do setor de v\u00e1rios Estados brasileiros. Atuou em restaurantes de S\u00e3o Paulo (SP), Petr\u00f3polis (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE). Atualmente, \u00e9 consultor em Gastronomia pela ML Consultoria SA e apresenta o Projeto de Gastronomia do Bioma da Caatinga nas regi\u00f5es do agreste e sert\u00e3o, al\u00e9m de se preparar para o mestrado em Bioqu\u00edmica dos Alimentos.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com alma de pesquisador, Marcos Nascimento desenvolve o Projeto Bioma da Caatinga e elabora receitas com PANCs (plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais). Logo ap\u00f3s concluir o curso de Tecnologia em Gastronomia, o chef Marcos L\u00f4bo Nascimento, de Recife, PE, procurava um tema para continuar suas pesquisas acad\u00eamicas. 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