Após crise, brasileiro volta para as padarias.

Após crise, brasileiro volta para as padarias.

Setor movimentou R$ 90,3 bi no ano passado

 

Após quatro anos consecutivos de queda, o fluxo de consumidores nas padarias voltou a crescer em 2017. Isso ajudou o setor de panificação e confeitaria a faturar R$ 90,3 bilhões, o que representou um aumento nominal de 3,2% em relação a 2016. O ganho real foi de 1,28%, descontada a inflação da panificação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Os dados são da Abip (Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria), que realizou pesquisa com o Instituto Tecnológico de Panificação e Confeitaria. Foram ouvidas 400 empresas em 19 Estados. “O setor passou por anos difíceis no período de recessão, mas felizmente voltou a apresentar crescimento, até com um pequeno ganho real em 2017. Para este ano a sinalização é de que o desempenho do setor será melhor do que em 2017”, diz José Batista de Oliveira, presidente da Abip.

A entidade não faz projeções sobre o setor. Oliveira cita como fatores que podem favorecer o setor a inflação baixa, a recuperação da renda disponível das famílias e a redução no nível de desemprego.

O fluxo de clientes também voltou a crescer, após quatro anos consecutivos de queda. Oliveira avalia que isso deve se manter neste ano. Em 2017, o fluxo de clientes nas padarias e confeitarias aumentou 1,36%.

Oliveira citou ainda como elemento positivo a expansão nas vendas de produção própria, que somaram R$ 57,8 bilhões em 2017, com crescimento de 5,4% em relação a 2016. Os itens de revenda somaram R$ 32,5 bilhões no ano, com aumento de 0,7%.
Do lado negativo, as vendas do pão francês – principal item das padarias e confeitarias – cresceram 0,3% em faturamento. Em volume, houve queda de 3,4% em vendas. O preço médio subiu 3,7% no ano.

Oliveira disse que houve queda porque o mercado está mais competitivo. “Com o avanço da produção de pães congelados no Brasil, outros tipos de varejo passaram a concorrer com as padarias e confeitarias, como supermercados, atacarejos, lojas de conveniência e mercadinhos. Esses varejistas têm investido em panificação como estratégia para fidelizar clientes”, observou o executivo.

As padarias e confeitarias, diz Oliveira, têm investido mais na produção própria de outros itens de panificação, para atrair os consumidores. Para o executivo, o acirramento da concorrência seguirá sendo um fator de pressão para as padarias e confeitarias em 2018.

De acordo com dados da Euromonitor International, o mercado total de panificação, incluindo o desempenho de padarias e das fábricas de pães e bolos, cresceu 3,1% e 2017, para 5,4 milhões de toneladas. Para 2018, a previsão é de um crescimento de 2,1%, para 5,6 milhões de toneladas.

A Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) informou que a categoria de pães e bolos industrializados movimentou no ano passado R$ 6,45 bilhões, com volume de vendas de 465,8 mil toneladas. O mercado de pães de forma cresceu 0,46%, para R$ 5,61 bilhões. Em volume, houve queda de 4,53%, para 433,9 mil toneladas. Em bolos, houve queda de 3,16% em faturamento, para R$ 840 milhões. Em volume, a queda foi de 7,5%, para 31,9 mil toneladas.

Outro fator de pressão para padarias e confeitarias, segundo Oliveira, é o reajuste nos preços da energia neste ano. “Falam em um reajuste no preço de energia de mais de 20% este ano, é totalmente absurdo. Espero que a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] avalie e venha com um aumento compatível com a realidade”, afirmou Oliveira.

Fonte: Valor Online

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